Saturday, February 11, 2006

 

Trabalho de Geografia - Haiti: De Colombo a atualidade

Reportagem de Aira Pagan Zogaib
A palavra HAITI, significa "país montanhoso", é o nome de uma grande ilha localizada nas Antilhas, foi descoberta por Cristóvão Colombo em 1492, chamada de ilha de São Domingo, foi inserida em mapas a partir de 1505. Tinha na agricultura da cana-de-açúcar uma fonte de renda para os colonizadores e na exploração de ouro uma sanguinária batalha contra os nativos. Após a dizimação dos índios “arauaques”, primitivos habitantes da Ilha Espanhola, navios traziam escravos da África Ocidental e depois do declínio do extrativismo, os espanhóis rumaram ao sul, permitindo que piratas franceses ocupassem a ilha com vantagens para a França, que recebeu a soberania da ilha por tratado, em 1697.A agricultura prospera, mais de 500 mil negros fazem trabalho desumano para a metrópole, no entanto chega da França os ecos dos ideais de igualdade, liberdade e fraternidade. Escravos rebeldes, foragidos nas montanhas do interior, conhecidos como “cimarróns”, não só no Haiti, mas em outras ilhas do Caribe, rebelaram-se contra a nação francesa. Depois de 13 anos, o escravo Toussaint Louverture comanda a ilha, tem a habilidade de trabalhar a rivalidade Espanha, França e Inglaterra.
Vence Napoleão Bonaparte. Outros países temem que o ímpeto revolucionário haitiano provoque novas revoltas. Somente em 1804, o Haiti tem reconhecida a independência, apenas os Estados Unidos se torna liberto da metrópole antes do Haiti, entretanto o país é a primeira república dos negros a ser proclamada no mundo.
A república deveria ser vermelha, pois histórias de sangue são constantes. Após a proclamação, Jacques Dessalines se intitula imperador, porém logo é assassinado e a ilha é dividida em duas partes: a parte oriental - atual República Dominicana - é retomada pela Espanha.
Indenização foi necessária para que a França reconhecesse a independência, foram US$ 90 milhões em dinheiro conquistado com sangue negro e não foram suficientes para a libertação negra. Mais invasões no país, com “vistas” para o financeiro, os Estados Unidos invadem com justificativa de não-cumprimento dos contratos. O período de 1915 a 1934 é o retorno ao colonialismo, que continua de modo não explicitado com François Duvalier, o Papa-Doc, alusão ao título de doutorado do presidente, e com François Duvalier, o Baby-Doc. Foram 29 anos de sofrimento e muita dor por meio do terrorismo político.
Sem potencial econômico e com o político comprometido com os Estados Unidos, surge Jean-Bertrand Aristide, um padre da Teologia da Libertação que defendia uma mudança política. Lutou contra o grupo paramilitar FRAPH - Frente Revolucionária pelo Avanço e o Progresso do Haiti, que recebia investimento de outros países e foi deposto um ano depois por grupos civil-militares.
Morte e fuga. Dinheiro negado para Aristide para governar o Haiti e entrega de dinheiro a Washington, o dinheiro que entrava no país era usado para a opressão popular. Manifestações aparecem e é imperada a “ingovernabilidade” do Haiti.

 

Trabalho de Geografia - Haiti: Medo, Tensão e Colapso

Reportagem de Augusto Chrispim Mengalli Gilberti de Alencar
Não era 2001, uma Odisséia no Espaço, porém era 2002 e o assombro das greves gerais estava presente no Haiti, no ano seguinte, mais assassinatos. Em 2004, a situação econômica era insustentável e o Congresso impõe a renúncia do presidente, após o pedido de reembolso à França feito por Aristide.
O dinheiro foi resultado de uma ameaça feita por Jean-Pierre Boyer aos haitianos para que o governo francês não retornasse mais ao Haiti. O medo do retorno da antiga metrópole possibilitou a entrega do dinheiro.
O Haiti provavelmente não tem a noção de que é temido fora dos limites do país, devido a grande influência na conquista da independência na Bolívia, na Venezuela e na Colômbia, assim, são considerados povos de ideologia contrária aos interesses “dos grandes impérios”, dessa forma, são sentenciados a fome e a miséria para que o silêncio não reflita o “farol da liberdade do povo negro” no mundo e a antiga pérola das Antilhas.
A tensão existente no Haiti é política, simpatizantes do governo de Aristide são perseguidos e os criminosos condenados são libertados, o país que é tido como pobre deveria ser classificado como empobrecido, pois há riquezas naturais que não foram exploradas, como, por exemplo, lugares históricos.
Os franceses foram substituídos por uma “elite mulata” que dissemina o preconceito e o poder, que outrora, nos idos de 1957, foi conhecido como época de obscurantismo político, quando a família Duvalier governou o país até 1986. Depois de 1991, Aristide, que foi deposto e retornou ao governo várias vezes, a insegurança perdura.
No "olhar dominicano", por exemplo, os haitianos de origem africana são chamados negros, enquanto os dominicanos da mesma cor e origem são tidos como "índios". O Haiti é considerado atrasado e sem participação popular junto ao governo federal. Na atualidade, tem alguns paradoxos, tais como: um estado que funciona em francês quando o povo se comunica em crioulo. Um Estado que a apóia a economia de exportação quando o povo tem uma economia de subsistência e produção de alimentos. Um Estado que está contra o vodu, quando a cultura nacional está baseada nessa direção.
Haitiano vítima da miséria
O Colapso chega com a missão de paz. O Brasil não tinha nenhuma relação diplomática com o Haiti até “encabeçar” a força de ocupação da O. N. U. – Organização das Nações Unidas. O número de haitianos no Brasil é muito pequeno, assim como, o número de brasileiros no Haiti. A missão do Brasil em fazer uma reconciliação nacional e garantir o retorno ao regime democrático pleno pode ser grande demais para a força de acordo, tendo em vista que há interesses muito maiores que a paz.

 

Trabalho de Geografia - Haiti: O Brasil e o Haiti: Geografia com Ação e Reação

Reportagem de Davi Martinelli Gonçalves
As condições climáticas tornam a estada da tropa de paz extremamente rústica, chuvas torrenciais e furacões constituem-se em outras situações problemas. O Haiti está situado no centro do chamado "cinturão de furacões" do caribe.O envio de tropas brasileiras para o Haiti fere a Constituição Federal em seu artigo 4° inciso III e podem servir para auxiliar interesses em países da região haitiana, tendo em vista que o golpe aplicado sobre governo haitiano eleito de Jean-Bertrand Aristide, foi explicitamente arquitetado pelo Estados Unidos, a fim intensificar a presença militar nas Antilhas. A defesa pela democracia pode reprimir apenas a população em manifestações que visam tomar um poder que é do povo.
Soldados brasileiros no Haiti
No Brasil e no Haiti os negros têm costumes diferentes devido à origem, o Haiti recebia escravos vindos de Daomé com cultura Fon e o Brasil recebia escravos nigerianos da cultura Ioruba e Banto. Culturas diferentes que servem interesses econômicos em lados diferentes, um em missão “pacífica” e outro em defendendo o território natal e os ideais de liberdade que outrora rebelaram contra a metrópole.A paz que é pretendida pela força pode estar a serviço de uma elite dominante que fez da nação independente a mais pobre do continente e comando não será de cada país, porém de um só. A solidariedade latino-americana pode ser abalada na integração social, cultural, política e econômica, pois enfraquece o país enquanto bloco político e econômico.
Violência no Haiti esvazia hospital
O país vive uma crise de segurança pública e racionamento de eletricidade e recursos energéticos, um é conseqüência do outro. Sul e norte estão inseguros, no parte sul há uma dificuldade maior para manter a segurança, embora agências humanitárias consigam atender feridos civis e detidos, as revoltas são constantes. A saúde é precária e as condições de higiene são péssimas, a distribuição de kits de primeiros socorros visa diminuir o numero mortes, já que cada kit atende a 100 pessoas.O envio de medicamentos é constante, ajudam no tratamento de civis, que podem ser detidos que com a crise foram libertados e militares. Ambulâncias são entregues para poupar mais vidas e cursos de primeiros socorros para as equipes da Cruz Vermelha Haitiana que trabalharão no atendimento com ambulâncias. Comunicação por VHF será implantada entre Porto Príncipe e Cap-Haïtien, a fim de garantir a segurança no país.

 

Trabalho de Geografia - Haiti: Herança da Escravidão Atual

Reportagem de Luísa Alvin Borher
O início do vodu no Haiti data do período colonial, os ancestrais eram cultuados. Várias influências foram introduzidas nesse ritual, desde a herança dos povos nativos que foram exterminados, os Carib e os Taino, até entidades européias pré-cristãs como Brigid ou Maman Brigitte. No início era marginalizado como religião e empurrado à clandestinidade, no entanto, na atualidade, é considerado uma religião e tem práticas legalizadas.O vodu está divido em três divisões: o vodu ortodoxo, onde o sacerdote ou sacerdotisa recebe o asson, um chocalho ritual, como símbolo do sacerdócio, o Makaya, onde as iniciações são menos elaboradas e o sacerdote ou sacerdotisa não recebe o asson e há uma ênfase maior na magia do que na religião e o Rito Kongo é quase que exclusivamente representante da tradição do Kongo. Todos acreditam em um grande deus e em entidades menores, chamadas de Loa e também há música, dança, orações e roupas específicas.
Um carib e uma pintura da aldeia taino
Pessoas só podem participar de cerimônias de indivíduos com mesmo grau ou menor, não podem participar de cerimônias com pessoas de graus maiores, porque o conhecimento é secreto e as pessoas não saberiam lidar com ele. O cemitério é familiar, isto é cada família tem a própria necrópole e após um ano e um dia após a morte do ente pode ser feita a cerimônia mo nan dlo - tirar o morto da água.Mitos, lendas e crenças são representados por figuras, como, por exemplo, o Baron, conhecido como guardião do cemitério, ele decide se a pessoa morre ou não, quando as mortes são causadas por magia. Auxiliado pela esposa, Maman Brigitte, responsável por recuperar as almas dos mortos e transformá-las em loa Ghede, o Baron é considerado como um juiz divino. A cruz nas casas representa a homenagem das famílias ao julgador.
Ghede: Deus do Vodu do Cemitério
Os sacrifícios animais são feitos no dia dois de novembro, dia dos mortos, um feriado nacional no Haiti. As oferendas, muitas vezes, são devoradas por famintos que vivem próximo ao local das ofertas. Há comércio de santos, velas, fitas e artigos para louvar os mortos e também rituais de danças que segue ao longo na noite, mesmo até a alvorada até mesmo “não-vodunistas” vêm assistir.A religião acalma a população que vê muitas mortes diárias e miséria habitual em um país cheio de mistérios e segredos místicos que se juntam à coragem de um povo que sobreviveu a tanta dor e perda ao longo de séculos de exploração e herança de morte dos desbravadores colonizadores, no sentido de tirar a braveza com armas e torturas.

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